HÁ ESQUECIMENTOS QUE SÃO LEMBRANÇAS.
Não sei como ficará o final deste texto. Não sei se este texto seguirá a propositura dos meus pensamentos… e só quando as ideias ganham formas é que entendo o embaraço interno daqui. Este texto contém o registro duma vida; quando releio, regresso ao dia que estive aqui, ao dia que palateei este pedaço de momento. É como voltar àquele velho lugar de infância. A casa permanece a mesma, cujas portas e ornatos preservam em sua madeira desgastada e rangida a coloridade duma vida que nela sobreveio. Ainda sinto o cheiro do suor da correria no quintal… o cheiro do clima; como se cada época possuísse um perfume próprio. Havia um perfume que eu usava então. Com o passar dos anos, deixou de ser apenas um aroma e tornou-se uma estação da memória. Como se as tardes, as conversas, os caminhos percorridos e a própria textura daqueles dias houvessem se depositado em suas notas. Hoje, basta um vestígio dele para que uma época inteira se derrame novamente sobre mim. Talvez seja isso a memória: não uma ...








