Você quer ter um texto bom? Comece comigo!



William S. Burroughs at 100: Rebel, Junkie, Exile, Genius

Agora mesmo, bons textos foram jogados à lata de lixo como se não fossem nada. Já parou pra pensar nisso? Eles estavam bem estruturados, seguindo os protocolos; vírgulados e pontuados corretamente. As palavras estavam empregadas nos conformes, tudo estava bem.

Mas se estavam tão bons assim, o que os levou a ser ignorado? Vejamos, bastei dar uma olhada acima do texto, e percebi o erro catártico que os tornaram nulos. Esquecê-lo é um caminho quase sem volta; afinal, é ele quem nos convence a adentrar nesta trilha cingida de palavras.

Agora uma pergunta: Você e seus amigos resolveram sair de férias. Sendo mais criativo, acampar. Entre os vários planos de diversão, um deles é fazer trilha. No dia combinado você vai, e após horas de andanças, vocês se deparam  com um labirinto antigo. Você já sabe o que vai acontecer, né? Pois é!

Se arriscaria a entrar nesse labirinto construído de pedras antigas, relvas e plantas? E se houvesse alguma placa  aviso garantindo-lhe a segurança, ainda arriscaria? Talvez? Há alguns que sim, outros nem pagando; mas você concorda que bastou a existência dum pequeno aviso para mudar a forma como víamos a coisa até então?

Não quero falar daqueles destemidos que iriam mesmo assim, mas daquela parcela de pessoas que prefeririam um comunicado, um pequeno alerta para dizer-lhes que sua entrada valeria à pena. É esse punhado que me interessa. Esse grupo precisa ser convencido de que sua ida será boa, que será uma experiência inesquecível, quem sabe agregadora. Eles precisam ser instigados, movidos a tomar uma ação. E só há um capaz de quebrar sua inércia, o chamariz, vulgo: título.

O que os endereços dos destinatários é para as cartas, os títulos devem ser para os textos. Veja, eles são os responsáveis por nos dizer previamente o que aquele amontoado de palavras tem a nos oferecer, e do porque devo tirar uma fração do meu tempo para lê-lo. Enquanto você não entender que eles se tornam tão importante quanto o próprio texto, você nunca irá florescer no mundo da escrita.

As primeiras impressões contam muito, e o título é a primeira coisa a ser apreciada. Portanto, preze por isso, afinal: “Você nunca recebe uma segunda chance de causar uma boa primeira impressão.”

Serei mais ilustrativo; impressões são como vaga-lumes machos, eles ascendem com o intento de chamar à atenção das fêmeas para acasalar. É lógico que há outros motivos para além do acasalamento, mas num estudo citado por Jack Schaffer em seu livro: “Manual de Persuasão do FBI” realizado por Marc Brown, este observou que ritmos mais frenéticos com a intensidade da luz emitida pelos vaga-lumes machos, atraíam as fêmeas.

O que quero dizer com isso é que: o título de sua copy ou texto devem ser como esses insetos, toda fosforescência precisa vir do título. O leitor precisa querer acasalar com o seu texto.

Há um fator importante a ser citado sobre os títulos, todos eles precisam está coesos com o conteúdo, afinal de contas, você poria: "Vende-se geladeira mais fria que seu ex" sendo que o produto é um fogão? Coerência é tudo, e pessoas estimam isso. Posto que, ela é um dos princípios listado por Robert B. Cialdini no livro Armas da Persuasão. Sem querer excluí-lo, mas falando um pouco com marketeiros, você foi ensinado que a CTA¹ é uma chamada para a ação, certo? E está ok, ela é um dos fundamentos que personifica uma copy. Entretanto, há outra tão importante quanto ela, e eu a apelidei carinhosamente de CPA: "Chamada para Ler".

Essa nova estrutura servirá para que você se oriente durante a produção dos seus textos/copys. Toda vez que estiver produzindo um, pergunte a si mesmo: Eu leria esse texto só pelo título? Como ele me fisgaria se eu fosse o leitor? Esse exercício o dará um norte do que fazer. Ok, mas ai você pergunta: Por que eu deveria escrever para outras pessoas além do público-alvo?

Bom, jovem mancebo, o fato não está em escrever, mas em criar uma isca tão boa, que além da lebre, você tem a possibilidade pegar um javali. É preciso mesmo dizer as vantagens de está levando para casa mais do que o esperado? E convenhamos, isso revela o caráter dum bom escritor.

Ninguém ler suas coisas por seu conteúdo ser ruim, mas porque ele não é atraente o suficiente. Ele não chama atenção. A não ser que você tenha um público fixo, aí sim, qualquer coisa torne-se razão para ser lido. Do contrário, pene para caprichar na atratividade do seu título.

 É fácil escrever pra quem quer saber, difícil mesmo é chamar atenção dos receosos e acanhados. E é aqui que o vaga-lume precisa mostrar que é o tal. Não há motivos para relutância, entre e divirta-se com este texto criado especialmente para você.

Fim da trilha, saia pela esquerda!

 

¹ CTA significa "Call to Action" em inglês, e em português pode ser traduzido como "Chamada para a Ação". É um convite direto para que o público-alvo realize uma ação específica, como clicar em um botão, preencher um formulário ou fazer uma compra. Geralmente, as CTAs são utilizadas em marketing digital para direcionar a audiência a tomar medidas desejadas.

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