Você quer ter um texto bom? Comece comigo!
Agora mesmo, bons textos foram jogados à lata de lixo como se não fossem nada. Já parou pra pensar nisso? Eles estavam bem estruturados, seguindo os protocolos; vírgulados e pontuados corretamente. As palavras estavam empregadas nos conformes, tudo estava bem.
Mas se estavam tão bons assim, o que os levou a ser ignorado?
Vejamos, bastei dar uma olhada acima do texto, e percebi o erro catártico que os
tornaram nulos. Esquecê-lo é um caminho quase sem volta; afinal, é ele quem nos
convence a adentrar nesta trilha cingida de palavras.
Agora uma pergunta: Você e seus amigos resolveram sair de
férias. Sendo mais criativo, acampar. Entre os vários planos de diversão, um deles
é fazer trilha. No dia combinado você vai, e após horas de andanças, vocês se
deparam com um labirinto antigo. Você já
sabe o que vai acontecer, né? Pois é!
Se arriscaria a entrar nesse labirinto construído de pedras
antigas, relvas e plantas? E se houvesse alguma placa aviso garantindo-lhe a segurança, ainda
arriscaria? Talvez? Há alguns que sim, outros nem pagando; mas você concorda
que bastou a existência dum pequeno aviso para mudar a forma como víamos a
coisa até então?
Não quero falar daqueles destemidos que iriam mesmo assim,
mas daquela parcela de pessoas que prefeririam um comunicado, um pequeno alerta
para dizer-lhes que sua entrada valeria à pena. É esse punhado que me
interessa. Esse grupo precisa ser convencido de que sua ida será boa, que será
uma experiência inesquecível, quem sabe agregadora. Eles precisam ser
instigados, movidos a tomar uma ação. E só há um capaz de quebrar sua inércia,
o chamariz, vulgo: título.
O que os endereços dos destinatários é para as cartas, os
títulos devem ser para os textos. Veja, eles são os responsáveis por nos dizer
previamente o que aquele amontoado de palavras tem a nos oferecer, e do porque
devo tirar uma fração do meu tempo para lê-lo. Enquanto você não entender que
eles se tornam tão importante quanto o próprio texto, você nunca irá florescer
no mundo da escrita.
As primeiras impressões contam muito, e o título é a
primeira coisa a ser apreciada. Portanto, preze por isso, afinal: “Você nunca
recebe uma segunda chance de causar uma boa primeira impressão.”
Serei mais ilustrativo; impressões são como vaga-lumes
machos, eles ascendem com o intento de chamar à atenção das fêmeas para
acasalar. É lógico que há outros motivos para além do acasalamento, mas num
estudo citado por Jack Schaffer em seu livro: “Manual de Persuasão do FBI”
realizado por Marc Brown, este observou que ritmos mais frenéticos com a
intensidade da luz emitida pelos vaga-lumes machos, atraíam as fêmeas.
O que quero dizer com isso é que: o título de sua copy ou
texto devem ser como esses insetos, toda fosforescência precisa vir do título. O
leitor precisa querer acasalar com o seu texto.
Há um fator importante a ser citado sobre os títulos, todos
eles precisam está coesos com o conteúdo, afinal de contas, você poria:
"Vende-se geladeira mais fria que seu ex" sendo que o produto é um
fogão? Coerência é tudo, e pessoas estimam isso. Posto que, ela é um dos
princípios listado por Robert B. Cialdini no livro Armas da Persuasão. Sem
querer excluí-lo, mas falando um pouco com marketeiros, você foi ensinado que a
CTA¹ é uma chamada para a ação, certo? E está ok, ela é um dos fundamentos que
personifica uma copy. Entretanto, há outra tão importante quanto ela, e eu a
apelidei carinhosamente de CPA: "Chamada para Ler".
Essa nova estrutura servirá para que você se oriente durante
a produção dos seus textos/copys. Toda vez que estiver produzindo um, pergunte
a si mesmo: Eu leria esse texto só pelo título? Como ele me fisgaria se eu
fosse o leitor? Esse exercício o dará um norte do que fazer. Ok, mas ai você
pergunta: Por que eu deveria escrever para outras pessoas além do público-alvo?
Bom, jovem mancebo, o fato não está em escrever, mas em
criar uma isca tão boa, que além da lebre, você tem a possibilidade pegar um
javali. É preciso mesmo dizer as vantagens de está levando para casa mais do
que o esperado? E convenhamos, isso revela o caráter dum bom escritor.
Ninguém ler suas coisas por seu conteúdo ser ruim, mas
porque ele não é atraente o suficiente. Ele não chama atenção. A não ser que
você tenha um público fixo, aí sim, qualquer coisa torne-se razão para ser
lido. Do contrário, pene para caprichar na atratividade do seu título.
É fácil escrever pra
quem quer saber, difícil mesmo é chamar atenção dos receosos e acanhados. E é
aqui que o vaga-lume precisa mostrar que é o tal. Não há motivos para
relutância, entre e divirta-se com este texto criado especialmente para você.
Fim da trilha, saia pela esquerda!
¹ CTA significa "Call to Action" em inglês, e em
português pode ser traduzido como "Chamada para a Ação". É um convite
direto para que o público-alvo realize uma ação específica, como clicar em um
botão, preencher um formulário ou fazer uma compra. Geralmente, as CTAs são
utilizadas em marketing digital para direcionar a audiência a tomar medidas
desejadas.


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