Confissões Que Não Lhe Interessaria.
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Escrever nunca me pareceu um desafio como mormente ocorre com alguns. Na realidade, a escrita me sobrevêm nos momentos de exultação ou desespero. Coisa que venho relutando há anos. Apesar das inúmeras contribuições terapêuticas que ela pode proporcionar, fujo desse meio alternativo, pois a vejo como algo sublime.
Escrever por escrever, por passatempo ou alívio é um descaso. Ninguém tem a obrigação de fazê-la para fins literários, exposição ou reconhecimento; mas apesar dessa mera exceção, mantenho-me hirto na ideia de que escrever por escrever não vale nada. A linguagem corporifica o pensamento, ela o veste, adorna, e traz á luz aquilo que residia nas camadas mais fundas da inconsciência.
Tendo ela essa contribuição tão única, seria insensato mantê-la pra si. Se consegues vestir tão bem teus pensamentos, porque escolhes manter guardado os talentos?
Defendo que a escrita deveria ter um peso maior do que tem. Se todos conseguissem expressar-se bem, acredite, o índice de confusão diminuiria. Pois aglutinada à ideia de clareza bem expressa, haveria a compreensão.
O claro provocaria aquele desconforto quando somos surpreendidos pela luz repentina após nos acostumamos com a escuridão de horas. Mas nos traria aquele alívio logo em seguida quando, finalmente, a luz retorna. E eu não estou falando de energia.
Escrever nunca fui um problema, o problema, ou melhor, os problemas são aqueles que surgem no meio do caminho. Eles são muitos, e entre eles está aquilo que o escritor Francês Gustave Flaubert expusera genialmente em sua Cartas Exemplares; que nos diz: “Tenho raiva por demorar tanto quando escrevo, de cair em todas as espécies de leituras e de correções. A vida é curta e a arte, longa.”
Este texto não nasceu hoje, tampouco se desenvolveu por completo hoje, talvez amanhã ou depois, nunca se sabe quando ele finalmente ganhará pernas. Você o vê correndo, mas nunca engatinhando.
Escrever é uma tarefa nobre, e não digo porque escrevo, estou longe de ser um escritor. Esse adjetivo deve ser conferido para aqueles que de fato tem, como diria o ditado popular, o molho. A nobreza da escrita está, por exemplo, na sua contribuição de assegurar o conhecimento humano. Eu não preciso ter que ficar lembrando de tudo agora. Antigamente, o cidadão tinha que ralar para manter as informações na cuca. Imagine aí, que trabalho, não?
A escrita conservou a tradição que antes oralmente era transpassada. E digo mais, sem querer fazer nenhuma deificação; aludo ao que o escritor, e crítico literário, Rodrigo Gurgel disse em suas altas reflexões: “O surgimento (...) da escrita foi um milagre. Posto que livrou o homem da obrigação de memorizar sua tradição.”
Além do mais, só o escritor consegue deflagrar tão bem os nuances do mundo em suas obras. Da tragédia ao riso; uma parcela deste extenso mundo armazenada nos pequenos parágrafos, verbos, interjeições e símiles. Retratando primorosamente a vida em suas variações. Escrever, é, sem dúvidas, uma… maravilha.
Desculpe, escrita. Escrevi tanto, que me faltou um adjetivo á altura. — Ah, só pra registrar, esse é um dos tantos problemas que um escritor sofre; a insuficiência de palavras que nos acomete durante o processo.


espero ansiosamente o dia em que você decidir pegar todos esses textos e publicá-los em um livro.
ResponderExcluirMuito obrigado! Quem sabe um dia, né kk. Receberá uma obra caso o dia chegue!
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