A verdade perturbadora que torna sua vida mais sofrida.


Se fosse para criar uma lista de coisas necessárias para viver, certamente, entraria como imprescindível saber quando é preciso e quando é desejável. Apesar destas palavras aparentarem certa similidade em seu campo semântico, no campo dinamizado, isto é, na prática, ambas mostram-se completamente distintas. Únicas.

E por serem distintas, logo, torna-se crucial saber usá-las. O grande problema é que quando não as conhecemos, a confusão adentra em nosso íntimo, hospendando-se de maneira indesejada, e sendo uma má hóspede, esta acaba deixando tudo fora do lugar. Já não sabemos mais…

Eu preciso ou desejo? Eis a questão que mudará os rumos de nossas escolhas ante a vida. Acha exagero? Pense comigo. A precisão pode ser entendida como uma espécie de exatidão à realização absoluta de algo. Você não faz porque necessariamente gosta, mas faz porque: sim! como diria o adulto impaciente à criança quando ela o pergunta o porquê de comer verduras. 

Assim deve ser, sem mais nem menos.

 O desejo, por sua vez, é a vontade de obter algo. Que ás vezes torna-se cobiça, uma ânsia que não corresponde a um estado de pura necessidade. Neste ponto, ela pode ser entendida como uma parcela mínima de nossos caprichos.

Desejar não é errado, posto que, somos dotados de aspirações e sonhos, e são por eles que somos movidos. E há quem diga que os sonhos desenham nossa personalidade. Porém, o maior problema está quando a fazemos prioridade, e passamos agir rediados por tal sentimento.

Tudo isso para suprir a esfomeação do que-eu-quero. Com isso, sofremos por não ser perfeito, como se sofresse por não ter pão. O sofrimento do que seria da precisão ou do desejável, agora são a mesma coisa. E acredite, é doença desejar com igual intensidade o que é preciso.

E aos poucos confundi-se o útil do inútil, sendo descompassando do essêncial vida. E aos pouquinhos vamos nos tornando lesados. Doentes. Sem a expectativa de melhora. Você não sabe o que é importante, eu também não sei. As coisas estão despropocionais. Tudo é importante, e deste modo vamos empilhando estresses, desgostos, frustrações e lamúrias. 

Quando não as diferenciamos, vamos nos carcomendos por dentro. E desse modo, somos destruídos facilmente pela nossa inabilidade de discernimento.

Quem sabe não seja essa a razão dos sonhos e planos não circularem bem? Visto que durante esse procedimento, somos impelidos a compreender e agir com precisão, e, concomitantemente instigados a desejar. A incapacidade de discernir torna-se um cisco no olho nesses momentos.

Eu sei que faz parte da nossa natureza comporta-se assim. Mas quando não se sabe o que quer, colocamos o desejo acima das nossas capacidades. Criando o mal românico de querer a lua como se houvesse maneira de a obter.

Seja faminto em desejar. Seja sonhador. Deseje o quanto puder, é o que nos falam. Mas nunca nos dizem que entre o sonho e a conquista, há uma estranda a ser percalçada, em que se não fizermos por onde, a frustação será o único trofeu a arpear. Por sorte, aqui teremos a chance de ganhar. mas prefiro lhe falar algo melhor, creio que isto o ajudará.

E quando finalmente entender o conselho, não só compreenderá a diferença da natureza humana, como também compreenderá uma camada mais profunda de si mesmo. Até porque isso sempre se tratou de você.

Quanta dessas vontades são realmente necessárias? Quanta dessas vontades é verdadeiramente real? Quanto desses fortes desejos é de fato significante? 

Quando finalmente o fizer, você quebrará o mal românico, sabendo que tudo podes, mas nem tudo será conveniente.

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