Camus e Absurdo pt. Ⅱ

Sísifo, de Tiziano, 1549

 Ora, mas se é facultativo morrer pelas próprias mãos, logo, toda essa descoberta não serve para nada. Afinal, tudo isso se deu por saber a verdade. É justo pensar assim, mas não deixa de ser uma afirmação infeliz, pois o fato da vida ser espinhosa, não signifique que deva ser ignorada.

A revolta é um ato de salvação, rebelar-se com o absurdo é encontrar significância na insignificância, é remar contra a maré e não se dar por vencido. Agir assim, pode parecer desnecessário ou inútil, entretanto, não é. 

Se o mundo nos impõe tal prejuízo, e sabendo nós que ele não nos deve nada, e que não somos nada, acha mesmo que se conformar com isso é nobre? Contentar-se a tal fato, é fadar-se à desgraça. É abraçar o Diabo, e fazê-lo seu amigo.

Isso não convém, de modo algum não convém. Digo-lhes sem medo, não basta esperarmos uma luz do céu, aqui estou sendo absurdista, não há salvação do aquém. Imaginamos assim: sozinhos, sem quem der algo por nós, e por esforço e insatisfação ante esta preguessa vida, nós mudamos, bravamente sozinhos, nossas condições.

Somente eu e minha pequena revolta, e ninguém mais. Mas é tolice, você pode questionar. Pensar que a repetição deste trabalho me dará algo, ou que esses esforços me serão úteis. Isso não tem sentido! — Então, você acabou de aperceber a vida, agora terá oportunidade de dá-la os reais significados. Aqueles devidamente profundos e necessários, e não esses seborreicos que há por ai.

Antes de mais nada, é preciso saber viver, para que depois venhamos a buscar o sentido da vida. Sendo aqui Satriano, a existência precede a essência, e tendo isso em vista, tomamos um passoa à frente dos demais.

Não pense que é uma tarefa simples, engana-se em achar assim, viver para depois compreender é um ato complexo. É como olhar para o exemplo de Sísifo. Este foi condenado pelos os deuses a uma punição eterna no submundo. Sua tarefa era rolar uma pedra gigante até o topo de uma montanha, mas, toda vez que ele quase alcançava o cume, a pedra retornava ao lado plano do ponto alto. Sendo esse seu castigo; a repetitividade dum trabalho sem fim.

Como eu poderei encontrar felicidade nisso? É possível encontrar um ínfima bonança na miséria? 

Sim, visto que, é aqui que os reais significados nascem, escolhemos as melhores roupas para cobrir a nudez da vida. É isso que Camus tenta nos dizer. Sísifo representa o absurdo, onde as pessoas podem se sentir presas em ciclos cansativos, mas ainda assim, elas destacam a coragem e a persistência para enfrentar esses desafios constantes. E com isso, é preciso valer-se da revolta.

E só então aprenderemos a viver, talvez não da forma como realmente gostaríamos, mas o suficiente. A vida é absurda, e saber disso importa para que não morramos à toa. E isso serve na medida em que me disponho a fazer algo.

Portanto, embora a infelicidade e falta de lógica possam falar mais alto, é preciso olhar para Sísifo com toda aquela repetição, e imaginá-lo feliz, pois ele encontrou seu propósito.

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